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Fim de Jogo

Luftrausers

Barão vermelho.

Originalmente publicado em 01/04/2015

Não é mistério que jogos de arcade eram propositalmente difíceis só para gerar mais lucro. O jogador perdia facilmente e logo em seguida já colocava mais fichas para a alegria do dono da máquina.

Embora possa ser classificado como uma prática inescrupulosa, o design desses jogos era algo de se admirar. Eles eram simples o bastante para que deixasse o jogador engajado em sua estrutura simplória sem perder o ritmo. Eram fundamentados em uma única mecânica simples que era abordada de maneiras diferentes, sutis ou não, durante a experiência.

Esse era o charme que hoje é espalhado espiritualmente em alguns jogos independentes. Muitos deles tentam recuperar essa essência que foi perdida pelo tempo.

Luftrausers resgata esse charme e ainda o moderniza, trazendo uma mistura interessante de conceitos.

Aquilo que faz o jogo de aviões da segunda guerra mundial da Vlambeer ser atraente assim como aqueles de arcade, é a clareza de como as informações são dadas ao jogador. Não tem papas na língua, não fica enrolando o jogador com diversos menus e já o coloca para dentro da ação.

As setas direcionais/analógico controlam a sua aeronave MORTAL e temos apenas um botão para atirar. Você é jogado no meio do ar, em uma arena e seu objetivo é metralhar a infantaria inimiga. Para variar as maneiras em como pode destruir seus inimigos, é possível trocar peças de sua aeronave que dão diferente atributos quando combinadas.

Os diferentes resultados dessas combinações é o que mantém o jogo atraente. São criativas com cada uma possuindo um jeito diferente de atirar e controlar. É extremamente prazeroso ficar experimentando as diferentes peças da nave e tentar cumprir alguns objetivos específicos de cada peça. Na maioria das vezes eu colocava tudo no aleatório e entrega para deus. Sempre sai algo bizarro e aos apelidos que são gerados também são muito bons (Biohazard MK. II, Fist Of God, Hellrauser e por aí vai).

Outro elemento que contribui para a clareza de Luftrausers é a presença do instant respawn, conceito presente em Super Meat Boy, Hotline Miami e Canabalt, onde seu personagem renasce rapidamente sem quebrar o ritmo. Não importa a quão rápida, estúpida, sem explicação a sua morte foi, você estará lá, encarando durante alguns segundos a tela de customização pensando em um qual combinação resultará no maior estrago.

Os diferentes resultados dessas combinações é o que mantém o jogo atraente. São interessantes e cada uma tem um jeito diferente que é prazeroso de se jogar. Ainda mais se colocar nas três opções, arma, corpo e motor, o símbolo do aleatório. É uma ótima maneira de experimentar os diversos aviões que recebem apelidos irados (Biohazard MK. II, Fist Of God, Hellrauser e por aí vai).

Essas combinações não só dão um vigor a jogabilidade, como o design da sua máquina de guerra e a trilha sonora também tem uma mudança sutil e significativa.

Ela enfatiza o objetivo central que é destruir qualquer aeronave no caminho, assim como navios, submarinos e dirigíveis. Te dá mais força para ser bruto e esmagar o botão de tiro.

O tom de Luftrausers é de ódio. O conceito do sistema de rank é baseado em atirar impiedosamente em seus inimigos sem parar. Logo após a derrota, está sempre pronto para a próxima rodada. A Vlambeer se encontrava em uma situação desagradável durante o desenvolvimento do jogo, como conta um dos desenvolvedores, Rami Ismail, em um texto replicado no Kotaku. É interessante ver como acabou virando um retrato de uma fase difícil dos criadores.

No final, seja uma obra concebida pelo ódio ou apenas uma abordagem atual de uma estética antiga, Luftrausers é simples a essência de mecânicas polidas e divertidas.