Originalmente publicado em 26/02/2014
Eu gosto quando artistas resolvem arriscar em ideias totalmente diferentes. Para mim, se o produto for algo único e tiver uma proposta minimamente interessante, consigo ignorar parte de seus defeitos.
Sem arriscar, cria-se aquela zona de conforto que gera ideias comuns sem grandes atrativos. Não significa que pensar fora da caixa e apostar em algo diferente é garantia de sucesso, mas é uma deficiência na criação de hoje em dia.
Jazzpunk, é calcado em riscos.
Segue os mesmos conceitos de Gone Home, Thirty Fligths of Loving e The Stanley Parable, onde consiste na exploração de um espaço virtual, transformando-o em um grande playground. O aproveitamento total da experiência fica a cargo do sentido explorador do jogador.
Agora pegue esses conceitos e transforme-os em uma grande experiência psicodélica e bizarra. Isso é Jazzpunk.
Na verdade, é bem complicado chegar aqui e descrever um jogo totalmente diferente e que se apoia muito nessa estética nonsense com pegada dos anos 50 e 60.
O que precisa ser dito é que Jazzpunk é essencialmente um jogo de comédia. Seu objetivo principal é te fazer rir e ele leva isso ao extremo, utilizando de todos os artifícios possíveis para tal, nem que isso signifique perguntar se você gosta de Kimono ou Kistereo.
O humor se dá em seções mais abertas, geralmente antes de completar a “missão” principal e isso é um dos (vários) riscos do jogo, deixando a cargo do jogador aproveitar o máximo daquilo resultando em algumas piadas perdidas por que não foi olhar o cenário ou não foi atencioso o bastante.
Pelo jogo várias piadas são espalhadas, além daquelas encontradas na “missão” principal. Em termos comparativos elas são como a minha timeline do Twitter/Facebook, onde após clicar em algo interessante posso acabar indo para outros lugares ou para lugar nenhum.

Em alguns momentos essas piadas se desenvolvem em referências interessantes, em alguns casos virando um mini game, algumas são realmente engraçadas, algumas são sem graça e outras apenas terminam do nada deixando o pensamento se aquilo era realmente engraçado.
É como aquele amigo seu engraçado que de vez quando faz umas piadas duvidosas e sem graça, mas você ainda gosta porque afinal ele é o seu amigo engraçado.
Ele sabe que às vezes faz umas piadas bestas e não tem medo de fazê-las, aposta muito em situações sem noção, assim como Monty Python. Tem um quê também de Tim & Eric, aproveitando-se de situações normais para gerar humor.
De todos os riscos que Jazzpunk toma, é perceptível o quão desesperado ele está para que pelo menos uma risadinha seja dada no final do processo. Parece que os criadores resolveram colocar toda e qualquer coisa que eles achavam que era engraçada durante a criação do jogo, por mais que não coubesse nele.
No final, ele só quer te fazer rir e para mim, ele conseguiu.
