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Fim de Jogo

The Banner Saga

Os deuses morreram.

Originalmente publicado em 11/02/2014

Faz um tempo que não vejo um universo tão rico e vasto como o encontrado em The Banner Saga.

É realmente impressionante o nível de detalhe vindo de um jogo relativamente pequeno financiado por crowdsourcing pelo Kickstarter no ano de 2012.

Arnie Jorgensen, Alex Thomas e John Watson, ex-funcionários da BioWare, após trabalharem no Star Wars: The Old Republic resolveram criar a Stoic e desenvolver algo por conta própria. Thomas já possuía alguns rascunhos do que viria a ser Banner Saga e após se juntar com Arnie e Watson, usaram o Kickstarter para terminar de vez o jogo.

Embora se baseie em conceitos da mitologia nórdica, não tem medo de usá-la como pano de fundo e criar um universo por cima. Nada de Thor, Odin, Tyr ou Freyja, aqui os deuses são outros e todos estão mortos.

Esses deuses, são representados em desenhos cravados em grandes estruturas de pedra denominadas de “godstones”. É possível encontrar conglomerações próximas delas com devotos deixando oferendas.

Essas estruturas falam muito sobre a situação religiosa do jogo, onde os comerciantes, aldeões e guerreiros oram para divindades mortas em esperança de que suas preces sejam atendidas. É possível ver muita gente na godstone de Radormyr, o deus do sol, já que o sol simplesmente desapareceu.

Hadrborg também é um deus interessante, segundo histórias impacientemente criou uma raça após o tédio gerido por criar muitos animais. Resolveu reunir humanos e bestas resultando nos Varls, seres gigantes com grandes chifres.  Tais seres dividem território com humanos, a relação entre eles varia muito, alguns lutam juntos pela mesma causa, uns são indiferentes e outros só querem viver longe um dos outros.

É simplesmente incrível o nível de detalhe que a Stoic colocou no universo de Banner Saga, além do que já foi dito, eu nunca perdi tanto tempo em jogo apenas admirando um mapa. Simplesmente pausava no meio do nada e começa a explorar cada centímetro, lendo as pequenas, mas detalhadas descrições sobre Frostvellr, Skogr, Arberrang, Wyrmtoe, Grofheim e outros.

Saber que o Monte do Rei na entrada de Grofheim é um cemitério de guerreiros Varls, onde muitos consideram uma honra e um dever ser enterrado ali, é extremamente interessante para o universo do jogo.

Muitos Varls acreditam que após serem enterrados no Monte do Rei, seus ossos serviriam de alicerce para um novo pico nas montanhas de Varlsmarch. Acreditavam também que o tamanho de pico dependia dos valores atribuídos a cada Varl.

The Banner Saga não esconde suas inspirações. Como a maioria dos universos de fantasia medieval as influências de Tolkien são fortes, além do tratamento mais sóbrio e político encontrado nas Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R Martin.

Embora os outros aspectos do jogo sejam igualmente incríveis, realmente fiquei fascinado com o universo apresentado aqui e merece um tratamento mais especial.

Não é todo dia que temos uma mitologia tão rica em um universo tão interessantes vindo de um estúdio de três pessoas. Eles têm algo incrível na mão que pode render muitos frutos.