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Fim de Jogo

Sine Mora

Sem demora.

Originalmente publicado em 20/01/2014

Existem certos gêneros de videogames que foram se perdendo durante os anos e saíram do estrelato, sobrevivendo apenas em nichos, ou vivendo em ciclo vicioso sem inovação alguma.

Posso colocar os shumps, vulgarmente conhecidos como jogos de navinha. Eles viveram tempos dourados durante a década de oitenta até metade da década de noventa. Muita grana foi gasta em fichas de arcade após várias mortes por não ter prestado muita atenção as lasers e projéteis frenéticos.

Com o fim da era de ouro dos arcades, os shumps foram embora junto.

No começo da década de noventa foram criados os Danmaku,”cortina de bala” em japonês. Uma vertente do shmups onde o jogador precisava decorar padrões no meio de uma chuva de balas, ficou conhecido no ocidente como bullet hell.

Embora estivesse adicionando mais frescor ao gênero, quando a febre de arcades acabou no ocidente, foi-se junto os jogos de navinha. Os shumps continuaram existindo no Japão, sobrevivendo como jogo de nicho. A CAVE continua lançando jogos, seja de arcade ou para consoles, sendo o port de Ketsui: Kizuna Jigoku Tachi, o mais recente da empresa.

A nostalgia ainda mantém alguns jogos vivos como Ikaruga, Radiant Silvergun, Ikari Warriors e Touhou para citar alguns.

Eis que em 2013, a Digital Reality e a Grasshopper Manucfacture se juntaram e lançaram Sine Mora.

É uma visão moderna de um shump clássico com um visual diesel-punk, subgênero do steampunk utilizando estética da Primeira e Segunda Guerra Mundial.

Os Enkies fogem da extinção viajando pelo tempo, devido aos ataques do Império Layil ao seu povo para usufruir de seus poderes característicos. Isso resulta em uma guerra que nunca acaba, uma guerra eterna.

Duas histórias acontecem ao mesmo tempo. Ronotra Kross, um bisão paraplégico, volta no tempo para buscar vingança contra o Império por ter matado o seu filho por não ter obedecido ordens. Enquanto isso, Akyta Dryad se une aos Enkies sobreviventes para obter liberdade contra a tirania do Império Layil.

Com narração e dublagem em Húngaro, Sine Mora é uma surpresa. Não só por seu universo e personagens bastante interessantes, mas pela exploração da temática do tempo em sua jogabilidade e a nova roupagem ao gênero de jogos de navinha.

Ele adota convenções clássicas como power-ups, sistema de pontuação, armas com melhorias. Como são duas histórias em tempos distintos, você acaba jogando com diversos personagens com armas específicas e com naves diversas também.

É dividido em pequenas seções, cada uma com um cronômetro, sendo possível retardá-lo destruindo naves inimigas e adquirindo objetos. A cada dano que recebe o tempo vai diminuindo e se chegar a zero você morre. Uma verdadeira corrida contra o tempo.

É um jogo bastante desafiador, misturando a jogabilidade de shumps clássicos com a chuva de tiros coloridos de um bullet hell, contando ainda com a habilidade congênita dos Enkies permitindo parar o tempo e desviar das balas. Às vezes você perde a sua nave de vista no meio de tantas cores, naves inimigas, tiros e explosões.

Não chega a ter o nível de dificuldade de um bullet hell comum, aqui o jogo tenta ser mais amigável com jogador.

Existe um quê de King Of Figthers, se observamos o cenário. É incrível o quão vivo são os cenários de Sine Mora. Funcionam como um pano de fundo para o frenesi de tiros, com cores vibrantes, com vida própria, o mundo ainda continua enquanto você está batalhando e desviando de balas coloridas. Diversas vezes me distraia, contemplando o cenário.

Ainda na direção de arte, existe uma coisa incrível em Sine Mora, que vai além de tudo que já foi dito: o design dos chefões. Eles foram desenhados por Mahiro Maeda, que conta no currículo os Angels de Neon Genesis Evagelion, foi diretor do Gankutsuou, de parte do Animatrix e da animação do primeiro Kill Bill. Talvez sejam os chefes mais criativos e divertidos de derrotar que já presenciei, vai de uma aranha com tentáculos até uma locomotiva.

É um grupo tão diverso e do jeito que a câmera passeia dando nova visão para essas construções gigantescas que atiram e seguindo a tradição, existe o modo de treinamento contra os chefes, para armar estratégias que eliminem-os mais rápido para obter sucesso em outros modos como o Arcade e o Time Attack.

Eles têm belos nomes também: Papa Carlo, Acridoidea, Melkor, Kolobok, Domus e Matoushcka, são alguns deles.

Assim como Call Of Duty: Modern Warfare “modernizou” os jogos de tiro, Sine Mora trouxe um novo frescor aos jogos de navinha, não fez tanto sucesso, mas é um jogo digno a ser mencionado.